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A translation of the above article by Luis Gomez

Novos Protestos em Bolivia: Um Breve Olhar no Palco e nos Atores Principais

16 de Maio de 2005: Era apenas uma questão de tempo. Participantes dos movimentos sociais da Bolivia estão agora em marcha pelas ruas e estradas do país. A nova Lei de Hidrocarbonos – embora ainda não oficializada – e a propriedade dos recursos de energia natural formam mais uma vez o eixo das mobilizações.

As mobilizações começaram em dois lugares chave na Bolívia: na estrada que divide horizontalmente o país em dois (e une as principais cidades), milhares de camponeses, plantadores de coca e outros grupos sob a liderança do fazendeiro de coca e congressita Evo Morales; e em El Alto, uma cidade outra unida como se fosse uma única pessoa, que desceu a montanha hoje ao meio-dia para combater as forças repressivas do estado Boliviano. Junto com eles vêm uma greve de professores públicos, mineiros e fazendeiros de Aymara, todos presentes na passeata de hoje em El Alto.

E embora tudo pareça agora estar em suspense, enquanto a passeata de Evo Morales cresce e se move em direção à capital do país, enquanto o povo de El Alto decide quais as próximas ações a tomar, nós paramos um momento para apresentar um mapa simplificado da situação corrente e dos principais atores em movimento.

O papel principal, por conta do seu tamanho e força, é do exército de seguidores de Evo Morales, apoiados em grande parte pelo Pacto de Unidade forjado durante a crise política de dois meses atrás. Esse grupo, que planeja seguir em passeata durante uma semana inteira, exige que as companhias multinacionais de petróleo paguem um imposto de pelo menos cinquenta por cento sobre seus rendimentos para que possam continuar a explorar as riquezas naturais da Bolívia. Dado sua localização atual, vai demorar ainda vários dias até que eles possam se fazer sentir pelas ruas de La Paz.

Por outro lado, bem no epicentro do conflito estão residentes, comerciantes e vários outros grupos da cidade de El Alto, que se mobilizaram para a batalha. Hoje, numa passeata de pouco mais de 100.000 pessoas, eles desceram até La Paz para tentar passar suas três demandas principais:

1.    Nacionalização dos Hidrocarbonos
2.    Renúncia do Presidente Carlos Mesa
3.    Encerramento do Congresso Nacional

A caminho do congresso, seu objetivo inicial, eles confrontaram a polícia, que disparou dezenas de granadas de gás lacrimogêneo em direção à multidão. Veja algumas fotos dessa manifestação, aqui:

Os “Alteños” não puderam fechar o prédio do legislativo, porém montaram uma grande assembléia e anunciaram o início das preparações para uma greve cívica por tempo indeterminado que deverá interromper todas as entradas a La Paz vindas de El Alto, assim como o transporte de alimentos, fechar o aeroporto internacional e interromper os transportes rodoviário para o interior do país.

Segundo anunciado pela agência de imprensa de El Alto:


“Os líderes da Federação Regional de Trabalhadores (COR) e a Federação de Comitês de Vizinhanças de El Alto (FEJUVE) anunciaram que até que a greve cívica/trabalhista por tempo indeterminado aconteca, o aeroporto internacional de El Alto será bloqueado e a fábrica Senkata, da companhia estatal de petróleo (YPFB) será fisicamente ocupada.”

Além disso, enquanto os Alteños tentavam chegar ao famoso prédio do Congresso, lá bem no coração do poder Boliviano dois congressistas do partido de direita Nova Força Republicana iniciaram uma greve de fome... exigindo a renúncia de Mesa e a nacionalização total dos hidrocarbonos no país!

Finalmente, do outro lado desse cabo de guerra está o enfraquecido Presidente Mesa, contra quem o povo se manifestou nas ruas de La Paz alguns dias atrás. Mesa tem se recusado a aprovar a nova Lei de Hidrocarbonos (uma lei a qual os movimentos sociais não aprovam e que é também oposta pelas companhias de petróleo, que a vêem como um ataque aos seus negócios)... e o prazo legal para que ele possa formalizar o veto à lei expira em algumas horas. Se nenhuma ação de sua parte for tomada até amanhã o presidente do Congresso (Senador Hormando Vaca Diez) será obrigado, pela constituição, a aprovar a lei.

Noutras palavras, o cenário está longe de parecer simples... e o último abalo só está começando.
Fiquem conosco; teremos mais noticias desde Bolívia assim que elas saírem do forno.

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