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Reporter's Notebook: Natalia Viana

Referendo: "Ainda não temos nem idéia do tamanho da interferência estadunidense"

Não dá para medir o tamanho da interfêrencia estadunidense no referendo na Venezuela. A constatação é de Jeremy Bigwood, jornalista free-lance que em janeiro deste ano revelou a ajuda financeira do governo estadunidense a entidades oposicionistas da Venezuela através da NED – National Endowment for Democracy, instituição privada sem fins lucrativos que recebe verbas do Congresso e do Departamento de Estado. Através do Freedom of Information Act, lei que garante a qualquer cidadão o acesso a informações oficiais, Bigwood obteve documentos que provam que a NED abriu contratos de doacões para diversas entidades venezuelanas de oposição, entre elas a Sumate, ONG cuja diretora, María Corina Machado, participou do golpe de 11 de abril de 2002, tendo assinado o decreto de Pedro Carmona, presidente empossado por 48 horas após o golpe. Segundo a NED, o apoio financeiro a Sumate é estritamente para educação da população para o referendo. Na prática, a Sumate lidera a campanha pelo “sim” – que pode tirar Cháves do governo.

O valor total das doações da NED somaram cerca de 1 milhão de dólares em 2003, e alguns contratos somente expiram em setembro deste ano. Para Bigwood, no entanto, isso é apenas uma pequena parte da ajuda financeira que esté hoje acontece para a realizacao do referendo. A chave estaria na lista de doacões da USAID – US Agency for International Development, cujo orcamento é bem superior ao da NED – 9,5 bilhões de dólares contra cerca de 50 milhões. “Ninguém está investigando o papel da USAID no referendo. E sabemos que a USAID tem muitos programas na Venezuela”.

Desde o final do ano passado, Jeremy tem tentado abrir as contas da USAID, sem sucesso. “Toda semana me mandam um e-mail dizendo que a busca vai demorar mais um pouco”, diz. Semana passada, em mais uma ligação ao escritório da USAID, ouviu um funcionario revelar que, tendo em vista a natureza do pedido, provavelmente os documentos nao lhe seriam entregues antes do referendo. “Lamentavelmente a verdade sobre o que está acontecendo vai continuar encoberta. Depois, quando os documentos forem revelados, só poderemos lamentar”.

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